segunda-feira, 8 de novembro de 2010

RUSAL: "DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL"



Coordenada pelas organizações ambientalistas "Friends of the Earth", da Noruega, e "Ariston Fund", da Rússia, a campanha "Boicote ao Alumínio Russo", tem como objetivos promover a conscientização sobre os impactos ambientais da produção de alumínio na Rússia e lutar pela melhoria nas práticas da empresa RUSAL.

As instalações defasadas e a falta de sistemas de purificação dos resíduos da produção do alumínio são responsáveis pela poluição do ar e pelo excesso de flúor na água potável. A inalação desses resíduos pode causar asma, dispnéia, fibrose pulmonar, entre outros. O excesso de flúor é o causador de fluorose dentária e esquelética.

Uma das fábricas da Rusal que mais danos tem causado é a que fica localizada na cidade de Nadvoicy. Muitos dos 11 mil habitantes da cidade sofrem de problemas de saúde decorrentes da poluição da água. Resíduos sólidos da fábrica foram descartados em lixões a céu aberto e acabaram por contaminar as fontes de água potável da cidade.

Muitos dos moradores de Nadvoicy tiveram seus dentes severamente danificados e até mesmo os perderam devido à fluorose. Esse é apenas o mais visível dos efeitos da contaminação por flúor.


Boycott Russian Aluminium - http://boycottrussianaluminium.com/

ALUMAR: "COMPROMISSO COM O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL"

A ALUMAR - Consórcio de Alumínio do Maranhão - é um dos maiores complexos de produção de alumínio primário e alumina do mundo. Inaugurado em julho de 1984, é formado pelas empresas Alcoa, RioTintoAlcan e BHP Billiton. A instalação da empresa foi viabilizada através de:
- garantias fiscais e creditícias
- aporte dado pelo governo do Maranhão para a montagem da infra-estrutura necessária ao projeto
- redução de Imposto de Renda
- energia consumida pela empresa foi subsidiada por um período de vinte anos e, em 2004, foi renovada por mais vinte anos


Na ALUMAR, em um ano, a produção de alumínio consome cerca de 237 vezes a energia que a cidade de Poços de Caldas (MG) consome no mesmo período.

Na apresentação do relatório elaborado pela Comissão Especial da Assembléia Legislativa do Maranhão, criada para discutir a ampliação do porto da ALUMAR em São Luís, o deputado Marcos Caldas (PTdoB) ressaltou as razões que poderiam inviabilizar tal ampliação:
- poluição do solo maranhense: em dez anos não haverá mais terras produtivas em São Luís
-  a Alumar possui 10% do território da cidade
- consome 3 vezes mais energia que toda a população do Maranhão
- utiliza a água do subsolo maranhense e não paga nada por isso.





Fontes:
INSTITUTO OBSERVATÓRIO SOCIAL. Estudo da cadeia produtiva do alumínio na região norte do Brasil: o caso da empresa Alumar. dez. 2008. Disponível em: http://www.observatoriosocial.org.br/arquivos_biblioteca/conteudo/Relatorio_IOS_Alumar.pdf.

MARANHÃO. Assembléia Legislativa do Maranhão. Deputado Marcos Caldas apresenta relatório sobre a Alumar. Disponível em: http://www.al.ma.gov.br/noticias.php?codigo1=12539.

ALCAN: "DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL"

De acordo com o estudo relizado pelo Pollution Watch, a INCO (subsidiária da empresa brasileira de mineração Companhia Vale do Rio Doce com sede em Toronto, Canadá) e a ALCAN são as maiores emissoras de poluentes na atmosfera no Canadá.


Muitos desses poluentes estão associados à doenças, como asma, bronquite enfisema pulmonar, câncer, entre outros, além de problemas relacionados com a chuva e a neblina ácida.


O relatório completo do Pollution Watch está disponível em: http://www.pollutionwatch.org/pressroom/factSheetData/PollutionWatch%20National%20Overview%202003%20-FINAL.pdf.

ALCOA - "MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE"

Juruti – Ministério Público ajuíza ação contra a Alcoa por poluição de igarapés.

Ministério Público do Pará - 16 de dezembro de 2009
Em Juruti, o Ministério Público do Estado ingressou com Ação Civil Pública contra a Alcoa. A ação quer garantir a cessação e recuperação dos danos ambientais causados ao ecossistema que abriga os igarapés das áreas de influência das rodovias, caminhos de serviços e ferrovia construídos pela empresa. O MP requer concessão de liminar que determine a imediata suspensão da licença de operação do empreendimento.

O MP requer a suspensão da licença até que sejam tomadas todas as providências para recuperação, controle e monitoramento dos igarapés, e indenização dos comunitários afetados. Requer também a suspensão de toda e qualquer licença ambiental em favor de atividades de supressão de vegetação, de terraplenagem ou de movimentação de terra.


INDÚSTRIA DO ALUMÍNIO


Três empresas - ALCOA, ALCAN, e RUSAL - produzem mais de um terço do alumínio primário do mundo. A Alcoa sozinha é responsável pela refinação de um quarto de toda a alumina, o produto intermediário necessário para a produção do alumínio primário. E essa concentração está aumentando, como comprovado pela aquisição da empresa francesa Pechiney pela Alcan, em 2004,  por US$ 5 bilhões.

Todas essas empresas, com exceção da Rusal, estão ativas no Brasil, onde a Companhia Vale do Rio Doce e a Companhia Brasileira de Alumínio (Grupo Votorantim) também controlam uma grande parte da produção.

As usinas de processamento de alumínio migraram recentemente dos centros industriais tradicionais dos EUA, Europa, e Japão para novos projetos “greenfield” no mundo em desenvolvimento, com acesso à eletricidade barata e mão-de-obra de baixo custo, as principais motivações.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

POPULAÇÃO EXPOSTA AOS POLUENTES DA INDÚSTRIA DO ALUMÍNIO

Os resíduos da alumina espalham-se pelo ar causando: 
  • Dores de cabeça
  • Irritação das mucosas, da pele e dos olhos
  • Distúrbios digestivos
  • Dores nas articulações
  • Queimação no estômago e na garganta
  • Sangramentos nasais
  • Letargia - alterações da consciência - causada pela exposição a múltiplos produtos químicos
  • Hipersensibilidade brônquica em crianças

INDÚSTRIA DO ALUMÍNIO - TRABALHADORES E DANOS À SAÚDE


A cadeia de produção do alumínio impõe riscos à saúde de diversas naturezas aos trabalhadores. A mineração de bauxita causa problemas respiratórios e na pele, além de outras doenças relacionadas à mineração.

Os trabalhadores das refinarias de alumina estão expostos a diversos produtos químicos, e muitos sofrem do que é chamado de “sensibilidade química múltipla”. Eles estão sujeitos aos efeitos do envenenamento por fluoreto. Os sintomas abrangem osteosclerose (endurecimento dos ossos), perfuração do septo nasal, dores torácicas, tosses, distúrbios da tireóide, anemia, vertigens, fraqueza e náuseas e uma variedade de distúrbios respiratórios.

Fontes:
SWITKES, Glenn Ross. Impactos ambientais e sociais da cadeia produtiva de alumínio na Amazônia: ferramentas para os trabalhadores, as comunidades e os ativistas. Internacional Rivers, 2005. Disponível em: http://www.internationalrivers.org/files/Foiling2005_po.pdf.


RECICLAGEM DA LATA DE ALUMÍNIO


Atualmente no Brasil aproximadamente 33% de toda cerveja e 8% de todo refrigerante são envasados em latas de alumínio. O Brasil tem um consumo per capita de aproximadamente 72 latas.

Os EUA têm o maior consumo per capita do planeta com 347 latas consumidas por habitante, seguidos por Emirados Árabes (240), Canadá (155,3) e Austrália (144,7).


Em 2008 o Brasil reciclou 91,5% das mais de 13 bilhões de latas de alumínio consumidas, mantendo o país como campeão mundial, pelo oitavo ano consecutivo, entre os países onde a atividade não é obrigatória.

Fonte: ABRALATAS. Disponível em: http://www.abralatas.com.br/processo_reciclagem_latinha.pdf


DA CHAPA À LATINHA


Fonte: Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade.
Disponível em : http://www.abralatas.com.br/processo_fabricacao_latinha.pdf


sábado, 30 de outubro de 2010

DA ALUMINA AO ALUMÍNIO

A refinação exige enormes quantidades de energia (mais do que qualquer outro processo industrial) devido a forte ligação entre o oxigênio e o alumínio na alumina. Os átomos de oxigênio são atraídos por ânodos de carbono, e o alumínio fundido fica depositado no fundo de cubas.

Essa é a fase mais poluente, resultando em emissões atmosféricas e outros resíduos: fluoreto de hidrogênio gasoso e fluoretos particulados, monóxido de carbono, alumina, dióxido de enxofre, entre outros. Os ânodos produzem grandes quantidades de PAHs (hidrocarbonetos aromáticos), incluindo o carcinógeno conhecido como benzo[a]pireno -associado ao câncer de bexiga nos trabalhadores.  


As concentrações de fluoretos no ar afetam florestas, pastos, animais. Em mamíferos a contaminação assume a forma de fluorose dentária, esquelética ou sistemática (atrofia óssea, manchas marrons nos dentes e perda de dentes). O fluoreto de hidrogênio pode causar danos respiratórios e anormalidades no sistema nervoso. O dióxido de enxofre irrita o trato respiratório, causa lesões agudas nas folhas das plantas, produz chuva, neblina e fumaça ácidas.

DA BAUXITA À ALUMINA

O minério de bauxita é triturado e dissolvido em soda cáustica (hidróxido de sódio) sob alta temperatura e pressão.  O óxido de ferro, o titânio, o sódio, a sílica e outros são removidos por filtração, originando um resíduo chamado “lama vermelha”.

A solução é limpa e vai para um tanque para cristalização do hidróxido de alumínio; os cristais resultantes são lavados e desidratados à vácuo e direcionados para um forno. O resultado é um pó fino, branco, chamado alumina (óxido de alumínio).

A lama vermelha é altamente cáustica, com pH acima de 13. Ela é despejada em áreas já mineradas. Além de penetrar no lençol freático e nos córregos, eleva o teor de sódio dos poços artesianos vizinhos. Outros impactos da refinação da alumina: poluição do ar com gases aerossóis cáusticos e poeiras corrosivas. Além disso, a queima de óleos com alto teor de enxofre libera gases ácidos, dióxido e trióxido de enxofre, levando à chuva ácida.


Lagoa de disposição de lama vermelha da Alumar – Ilha de São Luís – Maranhão. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-70762007000200011&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em:  18  out.  2010.  



EXTRAÇÃO DA BAUXITA PARA PRODUÇÃO DO ALUMÍNIO PRIMÁRIO

O minério de bauxita contém de 45% a 60% de óxido de alumínio; são necessárias de 4 a 5 toneladas de bauxita para produzir 2 toneladas de alumina que, refinada, produz 1 tonelada de alumínio primário.

Extraída em minas abertas, exige a remoção da vegetação e da camada superior do solo, produzindo efeitos nocivos sobre a fauna e a flora. A extração da bauxita é uma das principais causas da destruição da Floresta Tropical no mundo. As florestas não podem ser restauradas à sua biodiversidade anterior após a suspensão da mineração. O solo perde sua capacidade de reter água, tornando-se inadequado para o cultivo.


 A conversão da bauxita em alumínio primário é o processo  industrial que mais consome energia no mundo, contribuindo para o aquecimento global.

Fonte: SWITKES, Glenn Ross. Impactos ambientais e sociais da cadeia produtiva de alumínio na Amazônia: ferramentas para os trabalhadores, as comunidades e os ativistas. Internacional Rivers, 2005. Disponível em: http://www.internationalrivers.org/files/Foiling2005_po.pdf.


Remoção da vegetação, do solo orgânico e das camadas superficiais do solo (argilas e lateritas). Fonte: http://www.abal.org.br/aluminio/producao_alupri.asp


FLUXO DA CADEIA DE PRODUÇÃO DO ALUMÍNIO PRIMÁRIO

http://www.abal.org.br/aluminio/producao_alupri.asp

A lata de alumínio foi introduzida no mercado americano em 1963, trazendo um novo conceito de embalagens para bebidas, ao reunir simplicidade e praticidade num só produto. Mas surpreendeu o próprio mercado com muitas outras vantagens - da reciclabilidade à economia de energia e de espaço no transporte e armazenagem, até a redução de perdas, em relação a outros materiais como o vidro. O resultado é que mais de 70% das cervejas e refrigerantes produzidos nos Estados Unidos hoje são envasados em latas de alumínio, um hábito que se estendeu a outros países como Japão, Austrália, Suécia e Itália.
No Brasil, a lata de alumínio chegou em 1989, graças à produção interna da chapa nas especificações para o produto e à vinda de empresas detentoras da tecnologia de fabricação. Hoje, 95% das bebidas vendidas em lata no país utilizam a embalagem de alumínio.


 

OBJETOS

Os objetos são mediadores de nossa relação com o ambiente que nos cerca. Eles são documentos, pois contam a nossa trajetória no mundo. Museus, lojas, armários, gavetas só existem porque o homem criou uma infinidade de utensílios – nossa civilização caracteriza-se “[...] pela fabricação dos elementos que nos cercam.” (MOLES, 1972, p. 9).                        
Segundo Molles (1972), o objeto pode ser definido como algo que está fora de nós e pode ser percebido com os sentidos; não é natural, mas fabricado pelo homem; é independente e móvel (no sentido de transportável); no que diz respeito às suas dimensões, o objeto está em uma escala inferior a do homem e por ele pode ser manipulado.
Hoje, conseguimos conhecer e estudar as sociedades primitivas que, ao contrário das que vieram posteriormente não deixaram documentos escritos, através dos objetos que produziram. E quanto a nós? Que tipo de vestígios materiais estamos deixando para as futuras gerações? 
" Desfazendo a idéia, herdada desde a Revolução Francesa, com origens na Grécia Clássica, de que o patrimônio está ligado ao conceito de belo, simétrico, perfeito e ao qual se atribui algum valor [...], como produto das atividades humanas, o lixo passa a ser nomeado patrimônio cultural, que será herdado pelas gerações futuras." O lixo pode ser entendido como um "documento não-intencional", mas que, conforme Le Goff, "são monumentos, obras que mudam a paisagem e narram a história cotidiana de uma sociedade." (VALDUGA; OLIVEIRA, 2010). 

Referências:
MOLES. Abraham A. Semiologia dos objetos. Petrópolis: Vozes, 1972. p. 9-87
VALDUGA, Vânia; OLIVEIRA, Lizete Dias de. Patrimônio: o Lixo. In: Jornadas Mercosul: memória, ambiente e patrimônio, 2010, Canoas. Pôster.